Agrícola

17/04/2019 08:07 Assessoria

Manejo correto nas lavouras de Mato Grosso é sustentabilidade

Aplicar calcário, adubar, semear, plantar, aplicar defensivos. Tudo para, finalmente, colher. Seja na safrinha ou na safra regular, o ciclo da agricultura se repete e se fortalece no gigante mundial da produção de grãos chamado Mato Grosso.Aplicar calcário, adubar, semear, plantar, aplicar defensivos. Tudo para, finalmente, colher. Seja na safrinha ou na safra regular, o ciclo da agricultura se repete e se fortalece no gigante mundial da produção de grãos chamado Mato Grosso.
 
Para garantir o progresso nas lavouras, tanto em produtividade em larga escala, quanto em tecnologia e qualidade compatíveis com as exigências do mercado global, a sustentabilidade da atividade passa diretamente pelas corretas técnicas de manejo dos solos.
 
Neste 15 de abril, Dia Nacional da Conservação do Solo, produtores rurais têm mais uma vez a oportunidade e a responsabilidade de rever e planejar boas práticas rumo a mais um ciclo produtivo.
 
A Safra 2019-2020 se avizinha com tradicional expectativa de novos recordes nos talhões. Mesmo diante dos riscos climáticos, das oscilações dos preços das commodities e dos percalços e custos impostos pela logística, uma coisa é certa: Sobram ao produtor rural mato-grossense empreendedorismo e coragem para encarar um novo ciclo de trabalho árduo nas lavouras. O começo de toda safra é marcado pelo preparo do solo.
 
O hoje amplamente adotado sistema de plantio direto tem como pilar o manejo correto do recurso mineral que é essencial ao cultivo vegetal. Doses de calcário corretamente prescritas, customizadas ao tipo de solo verificado em diferentes áreas da propriedade, são fundamentais ao plantio sustentável e para uma consequente manutenção das áreas agricultáveis já abertas no Estado.
 
O mesmo é válido para as áreas de pastagens, onde a pecuária encontra em boas práticas de manejo de solos um dos caminhos para a perenidade e modernização da atividade, dentro de um cenário de desafios enfrentados por criadores de todos os portes.
 
Mas como desenvolver, na prática, um conjunto de técnicas adequadas de manejo de solos (ponto de interrogação). O pesquisador e professor Dr Anderson Lange, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), observa que tudo começa com a identificação dos tipos de solos encontrados na propriedade rural, por meio da coleta e análise de amostras de solos. Essa individualização das amostras, destaca o especialista em solos, é essencial para prescrições de insumos fidedignas às reais necessidades da lavoura e espécies cultivadas, bem como a cada tipo de clima. Ignorar esse recurso científico, alerta Lange, é dar margem a riscos financeiros e ambientais.
 
"É com satisfação que acompanhamos hoje muitos agricultores investindo em técnicas de agricultura de precisão, buscando realmente entender a fundo o que se passa nos processos químicos, físicos e biológicos na lavoura. Esses produtores estão se preparando cada vez melhor para driblar os desafios do campo, embora ainda haja muito a evoluirmos em manejo e conservação de solos, quando observamos o total de propriedades e áreas hoje agricultáveis. Isso é ciência e profissionalização da atividade, deixando de lado o senso comum. O caminho do desenvolvimento da agropecuária em Mato Grosso, no Brasil e no mundo passa diretamente por esse movimento", exalta o pesquisador.
 
O uso de plantas de cobertura na entressafra e a rotação de culturas, indispensáveis ao manejo e conservação dos solos, são técnicas que devem ser consideradas nas escolhas estratégicas de cultivo.
 
Plantas gramíneas, especialmente a braquiária, assim como sorgo, milheto e leguminosas como crotalária e feijão são incorporadores de nutrientes por natureza, tendo uma ação de grande utilidade à fertilidade do solo, atuando diretamente na formação e conservação do perfil do solo destinado ao semeio. Todas essas culturas têm, assim, o chamado arado biológico, que melhora a estrutura do solo de um modo geral.
 
As diferenças na extensão das raízes notadas entre essas culturas e a soja também trazem benefícios à dinâmica de trocas iônicas que acontecem no solo e nas plantas, no conjunto de reações químicas e biológicas durante o processo de desenvolvimento dos vegetais, até a maturação necessária para a colheita. Outro benefício de grande importância é o estímulo à infiltração de água no solo provocado pela rotação de culturas no sistema de plantio direto, mantendo-se a umidade no solo por mais tempo, algo precioso ante o longo período de estiagem característico de nossa região, alternado pelo intenso período de chuvas.
 
“Essas práticas são fundamentais para a movimentação de cálcio, de calcário e de fósforo no perfil do solo. As plantas ajudam a fazer esse trabalho de incorporação de nutrientes. As raízes que ficam ali enterradas após a colheita, no sistema de plantio direto, são fontes de nutrientes para a soja que virá. O sistema de rotação de culturas é, portanto, saudável”. Lange ressalta que não se trata de dispensar o tradicional milho safrinha, mas de se pensar e avaliar outras opções. “O milho é bom, sim, pois forma bastante quantidade de palha, essencial ao plantio direto. Mas é importante variar as culturas, por conta do controle de determinadas pragas e de eventuais deficiências de sistema. Existem muitos resultados de pesquisas científicas que comprovam que a soja produz muito mais inclusive quando leguminosas são cultivadas na safrinha”, sustenta o pesquisador da UFMT de Sinop, Norte do Estado.
 
15 de Abril
 
A data alusiva ao Dia Nacional da Conservação do Solo se soma a outras duas igualmente importantes: o Dia Internacional da Mãe Terra, celebrado em 22 de abril, e Dia Mundial do Solo, em 5 de dezembro. No Brasil, o dia temático foi inserido no calendário nacional com a promulgação da Lei Federal n. 7.876, de 13/11/1989, propondo a reflexão sobre a conservação dos recursos naturais e sua adequada utilização.
 
A FAO, braço da Organização das Nações Unidas para temas da agricultura e alimentação, vêm alertando a comunidade mundial sobre o quanto solos saudáveis são essenciais para se alcançar o pacto Fome Zero, a paz e a prosperidade entre os povos, num mundo onde 815 milhões de pessoas vivem sob o horror da fome. Em evento mundial realizado em 2018 no Brasil, o diretor-geral da FAO, José Graziano da Silva, destacou no discurso institucional que os países precisam ampliar o potencial dos solos para ajudar a enfrentar os efeitos da mudança climática global.
 
O alerta se reforça diante de dados alarmantes. O relatório "Situação Mundial dos recursos do Solo", da FAO, aponta dez grandes ameaças às funções do solo, incluindo erosão, desequilíbrio de nutrientes, perdas de carbono e biodiversidade do solo, acidificação, contaminação, salinização e compactação do solo, conforme informações divulgadas pela instituição internacional.


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