Agrícola

03/05/2019 08:25 Portal do agronegocio

Ciclo de baixa nos grãos e de recuperação nas carnes

O menor crescimento do PIB e do volume de comércio mundial em 2019, estimados pelo FMI em 3,3% e 3,4%; o elevado protecionismo no mercado dos produtos agropecuários; a peste suína que está dizimando os rebanhos na Ásia, principalmente na China; e a possibilidade de fechamento de acordo comercial entre os EUA e a China, que aumentará as importações chinesas de produtos americanos, o principal competidor internacional do Brasil no agronegócio, são variáveis que dificultam o aumento da demanda internacional pela soja e milho brasileiro.

No mercado brasileiro, o fraco desempenho da economia desde 2014, a estimativa de crescimento do PIB abaixo de 2,0% em 2019 e a continuidade do elevado número de desempregados não favorecem o crescimento mais significativo da demanda interna de soja, milho e trigo neste ano, estimadas em 44,0, 62,5 e 12,5 milhões de toneladas.

Pelo lado da oferta, os estoques mundiais dos três produtos e o comportamento do clima até o presente momento sinalizam a maior probabilidade de manutenção da elevada oferta dos três produtos na safra 2019/20, o que reduz a possibilidade de aumento dos preços neste e no próximo ano.

Nas carnes o ciclo é inverso. Depois de um período de preços desfavoráveis e de prejuízos para os suinocultores e avicultores brasileiros, a maior demanda pelos países asiáticos está provocando a elevação dos preços internos recebidos pelos produtores, que já atingiram cotações superiores aos custos de produção.

O setor sucroalcooleiro passou por um período de graves dificuldades econômicas e na safra 2019/20 ocorrerá uma inversão, com a oferta mundial de açúcar ficando abaixo da demanda. No mercado interno de etanol, o aumento dos preços do barril de petróleo trouxe melhor perspectiva econômica aos produtores, que aumentarão a produção.

No setor do café, a boa safra mundial e brasileira, apesar da bianualidade negativa, provocou redução das cotações internacionais para os menores valores dos últimos 14 anos e também dos preços internos recebidos pelos produtores, que não mais cobrem o custo operacional de produção.

Por sua vez os altos custos da logística, da burocracia, da regulamentação e da carga tributária reduzem a competitividade dos produtos brasileiros, as margens de ganho dos participantes das cadeias de produção e elevam os preços aos consumidores.

As primeiras informações sobre o Plano Safra 2019/20 que vigorará a partir de julho sinalizam, na melhor hipótese, a manutenção do volume e das taxas de juros do crédito rural, a não liberação de R$ 1,0 bilhão solicitado para subvenção ao seguro agrícola (estão previstos R$ 440 milhões), a redução do volume de recursos com taxas fixas de juros e a maior dependência dos grandes produtores de recursos a juros de mercado.

A taxa de câmbio no Brasil, neste ano, está apresentando significativa volatilidade entre R$ 3,6 a R$ 4,2, e não deverá oscilar fora deste intervalo nos próximos 12 meses.

Trigo

A redução da produção e do consumo mundial mantém elevado o estoque final mundial da safra 2018/19, de 275,6 milhões de toneladas segundo o USDA. A cotação internacional está oscilando entre U$ 4,4 a U$5,6/ bushel e a média foi de U$ 5,2 em 2018.

No Brasil, neste ano, a área plantada aumenta e a previsão de produção é de 5,6 milhões de toneladas segundo a Conab. Isto mantém a necessidade de importação de 7,2 milhões de toneladas para suprir o consumo interno.

Segundo o Deral, a média dos preços recebidos pelos produtores paranaenses em 2018 foi de R$ 42,19 a saca e neste ano oscilaram entre R$ 48,5 a R$ 44,5 a saca. Tais preços correspondem a paridade da importação, são superiores ao custo variável e menores do que o custo operacional e assim devem continuar durante o ano.

Soja

Pelo lado da oferta destaca-se o aumento da produção e do estoque final da safra mundial 2018/19 e da demanda a continuidade dos problemas comerciais entre os Estados Unidos e a China e a peste suína nos países da Ásia.

Como resultado, as cotações internacionais baixaram pelo segundo ano consecutivo, de U$ 9,4 na média de 2018 para U$ 8,4 a U$ 9,8 neste e no próximo ano.

Considerando a taxa de câmbio citada e os prêmios significativamente menores, os preços do produto posto Paranaguá têm variado entre R$ 75,0 a 79,0 a saca, menores do que os R$ 85,0 a 86,0 no final de 2018.

Os preços recebidos pelos produtores paranaenses neste ano oscilaram entre R$ 68,7 a R$ 64,0 a saca, contra a média de R$ 73,33 a saca em 2018. Tais valores são superiores ao custo operacional de produção, mas as margens estão se estreitando e somente uma quebra da safra mundial 2019/20 poderá alterar esta tendência. A comercialização pelos produtores também está sendo prejudicada pela manutenção da tabela de fretes, imposta contra as regras do livre mercado e para manter protegido um setor com superoferta de capacidade de transporte.

Milho

Na safra 2018/19 o aumento da produção mundial, o aumento maior do consumo total e a redução do estoque final, mas ainda elevado, e o aumento da área plantada nos EUA em 2019/20 estão mantendo as cotações internacionais neste ano entre U$ 4,2 a U$ 3,4/bushel, contra a média de U$ 3,9 em 2018.

No Brasil, o menor volume exportado em 2018, de 24,8 milhões de toneladas, e a recuperação da produção em 2018/19 para um número próximo a 100 milhões de toneladas obrigará o país a exportar mais de 30 milhões de toneladas em 2019, para que o estoque final permaneça em torno de 15,0 milhões de toneladas. Isto, na ausência de quebra da segunda safra, em andamento.

Considerando também a taxa de câmbio e a queda dos prêmios, as cotações do produto em Paranaguá tem variado entre R$ 34,5 a R$ 38,0 a saca, e entre R$ 32,0 a R$ 34,0 para o início do segundo semestre, valores que correspondem praticamente a paridade da exportação.

Segundo o Deral, os produtores paranaenses neste ano receberam preços entre R$ 30,4 a R$ 24,5 a saca, contra a média de R$ 28,97 a saca em 2018, valores que ainda cobrem o custo operacional de produção, mas com margens positivas cada vez mais estreitas.

Pecuária

O ano de 2018 não foi bom para a suinocultura e nem para a avicultura e os produtores amargaram prejuízos. Ocorreu redução da produção e das exportações das duas carnes, por problemas relacionados ao baixo consumo interno, a greve dos caminhoneiros, a operação carne fraca e subsequentes e ao cancelamento das importações pela União Europeia e Rússia.

Melhora a expectativa para 2019 e a ABPA prevê aumento da produção e das exportações dos dois produtos, em função da peste suína na Ásia e da reabertura do mercado russo. Os avicultores paranaenses estão se recuperando e os preços aumentaram de R$ 2,73 o kg em 2018 para R$ 2,81 a R$ 3,50 neste ano, já superando o custo de produção de R$ 2,80 o kg. Os suinocultores receberam a média de R$ 3,29 o kg em 2018 e entre R$ 3,50 a R$ 4,20 o kg neste ano, valores que também já ficam acima do custo de R$ 3,80 o kg.

Depois de dois anos de queda na produção de leite, os anos de 2018 e 2019 mostram recuperação da captação e dos preços recebidos pelos produtores, da média de R$ R$ 1,21 em 2017 para R$ 1,28 em 2018 e entre R$ 1,26 a R$ 1,50 o litro neste ano, valores que deixam margem positiva aos pecuaristas.

O mesmo ocorre na pecuária de corte. Os preços recebidos pelos produtores aumentaram da média de R$ 138,65 em 2017 para R$ 143,85 em 2018 e entre R$ 150,6 a R$ 151,5 a arroba neste ano.

Plantar soja ou milho na safra de verão2019/20?

As menores margens na comercialização da soja e do milho aumentam os cuidados que os produtores devem ter ao efetuarem novos investimentos. Isto porque o ciclo de preços mais baixos pode perdurar por mais de um ano agrícola, caso não ocorra significativa redução da oferta mundial devido a problemas climáticos.

A maior liquidez e margem da soja em relação ao milho evidencia a preferência pela leguminosa, o inverso do que está acontecendo com os produtores americanos. No entanto, considerando a sustentabilidade tecnológica, a importância da rotação de culturas e a diluição dos riscos, na safra os produtores poderiam destinar 25% da área a gramínea. No processo de produção, manter a tecnologia buscando produtividade é essencial, bem como evitar perdas com retrabalhos e desperdícios. Na comercialização, quando os preços têm viés de baixa, o mais indicado é efetuar as vendas de forma parcelada, sempre que os preços experimentarem curtos períodos de elevação em função dos fatores que afetam a oferta e a demanda.

Para os pequenos e médios produtores a diversificação é fundamental, buscando a produção de culturas e criações que geram maior valor agregado e tem escala em menores espaços de terra.

Eugenio Stefanelo é professor da FAE Business School e do Centro de Ciências Agrárias da UFPR e apresentador do Programa diário Negócios da Terra na Rede Massa, SBT do Paraná


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