

l José Francisco Villalobos
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A BICHARADA DA COPA
Terminou a Copa da África do Sul. Infelizmente o Brasil não chegou à final. Com Dunga ou sem Dunga, com Kaká jogando bem ou mal ou com Robinho acertando ou errando. Na verdade não acho que existam culpados, somente o azar, que às vezes é inerente ao Futebol, foi quem decidiu. E a Espanha conquistou sua primeira estrelinha. Mas esta copa foi marcada por eventos inéditos. Além do jogo sujo do time holandês, esta copa caracterizou-se pelo aparecimento incontrolável dos animais videntes. Foi um verdadeiro zoológico de animais adivinhos que foram aparecendo à medida que a Copa avançava. O mais famoso foi sem dúvida nenhuma, o Polvo Paul. Nascido na Alemanha teve a neutralidade de vaticinar a vitoria da Espanha sobre a própria Alemanha nas Semifinais. Este polvo escolhia uma das duas vitrines que colocavam no aquário dele com as bandeiras dos dois países que iriam se confrontar. O polvo se abraçava à que ele achava que seria o ganhador. Quase que imediatamente apareceram mais oráculos animais. Nós que acompanhávamos com ansiedade todos os vaticínios e sinais chegamos a ficar desorientados... Enquanto o Polvo Paul dava o jogo para a Espanha na Final, o Periquito japonês Mani, puxava uma carta dando como ganhadora à Holanda. Mas por sorte, o urso Panda Ling Ping, de Taiwan, dava a vitoria para a Espanha, compartilhando a mesma opinião do sábio Polvo Paul. Mas de repente, um dia antes do jogo da Final, mais dois polvos apareceram. A Paulina, na Holanda, dando como campeã à Holanda e o polvo Maradona, natural da Turquia – Meu Deus!- que dava a Espanha como vencedora. A estas alturas já estávamos roendo as unhas e pensando em qual animal seria mais confiável. Quem tem mais QI? Um periquito ou um polvo? Qual polvo teria mais credibilidade, o alemão ou o holandês? Alguns bichos estavam aparecendo e arriscando palpites pela primeira vez. Soubemos poucas horas antes do jogo que um porco e um chimpanzé, ambos holandeses, tinham sentenciado a Espanha ao segundo lugar. Mas é claro que os dois eram suspeitos. Nós que acabávamos de chegar da fazenda, nos amaldiçoamos por não ter tentado alguma adivinhação com uma vaca leiteira das mansas, ou com algum franguinho que nos parecesse mais ilustrado que os outros. Aí, para completar nosso desassossego descobrimos que existiam varias comunidades no Facebook com títulos como “Polvo Paul é o melhor” ou “O Periquito Mani não sabe de nada”, etc. No fim, tivemos que aguardar para conferir o jogo, que não foi fácil e que não se decidiu até os últimos minutos da prorrogação. E ainda pela diferença mínima. Será que essa moda vai pegar? Já imaginaram se agora fossemos consultar os bichos para saber a solução aos nossos problemas, ou conhecer antes quem vai ser nosso futuro presidente? Poderíamos fazer provas com um tucunaré que escolheria comer de um dos três aquários com as fotos dos três candidatos à presidência. Ou talvez arriscar a Mega Sena com uma arara ou um papagaio, que além de marcar as dezenas com o bico, poderiam confirmar a escolha verbalmente. Acho que o único que ficou demonstrado aqui é a necessidade que o Homem possui de acreditar no inacreditável. Temos uma grande tendência à superstição. Precisamos justificar nossas vitorias ou nossas derrotas com uma coisa tão inconseqüente como o abraço de um polvo ou como o capricho irracional de um periquito. Tomara que o novo presidente do Brasil não seja escolhido assim. Tomara que seja escolhido pela sua valia e por seu histórico de trabalho e de honestidade. Tomara que não seja uma escolha “bichada”. Helena Sulzbeck Villalobos e José Francisco Villalobos villalobostudelajf@terra.com.br l Mais Desse Colunista
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