Custo ainda limita crédito de carbono

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Quando a Microsoft fez uma compra maciça de créditos de carbono em janeiro, ela recorreu a uma fonte relativamente nova: agricultores que plantam culturas cujo propósito é reter o carbono no solo.

Na operação, fechada por valor não revelado, a empresa ficou com quase 200 mil créditos, uma das maiores aquisições já feitas desses papéis. A compra fazia parte de um negócio maior, para a aquisição de 1,3 milhão de créditos, mas a companhia precisou rejeitar a oferta de mais de 5 milhões de certificados que recebeu por causa de um problema sistêmico desse mercado: a mensuração dos benefícios ao clima do planeta que os produtores dessas culturas alegam gerar.

Os créditos são instrumentos financeiros lastreados em projetos que reduzem ou eliminam a liberação na atmosfera de gases responsáveis pelo efeito estufa. Os donos dos projetos podem vender os créditos para empresas, que então os usam para reivindicar a compensação do impacto climático de suas operações.

Gasto com certificação chega a 75% da despesa total com emissão de créditos lastreados na produção agrícola

“Para a agricultura de fileiras, o grande diferencial é a escala. Mas ela também tem um problema de mensuração e monitoramento”, diz Lucas Joppa, diretor de Meio Ambiente da Microsoft. Segundo ele, a companhia recebeu propostas de projetos agrícolas que alegavam remover carbono da atmosfera, mas sem comprovação científica. Outros projetos foram resultado de desmatamento ou até capturavam algum carbono, mas o deixavam retornar rapidamente à atmosfera. O simples ato de lavrar uma área de plantio pode liberar carbono que deveria ser retido.

A solução desses problemas é um fator central para que os agricultores possam cobrir a demanda por créditos de carbono, crescente entre grandes empresas como a Microsoft. Joppa diz que a companhia poderá precisar comprar 6 milhões de créditos de carbono por ano até 2030. “Isso exigirá uma transparência muito maior da parte dos produtores desses créditos”, afirma.

As empresas compram esses papéis para atender a exigências de consumidores preocupados com o meio ambiente e para adequações a esperadas mudanças de regulamentações governamentais relacionadas à crise climática. Cada papel equivale a uma tonelada de dióxido de carbono removido da atmosfera.

A agricultura está entre as atividades que mais emitem gases do efeito estufa, mas é também uma parte promissora da solução. As terras cultiváveis e pastos do planeta podem capturar e estocar o equivalente a até 8,6 gigatoneladas de dióxido de carbono por ano, de acordo com um relatório de 2019 do Painel Intergovernamental das Mudanças Climáticas. Isso corresponde a 1,3 vez todas as emissões dos Estados Unidos naquele ano, segundo dados do governo americano.

Os produtores de commodities podem capturar carbono em suas lavouras plantando uma cultura extra na entressafra ou reduzindo suas aragens. Alguns programas também emitem créditos ambientais para a conservação de água ou a redução do desperdício de fertilizantes.

Em geral, os créditos lastreados em produção agrícola mensuram a fixação de carbono com amostras de solo e testes de laboratório. Os programas então estimam, a partir de dados coletados por humanos, satélites e sensores instalados em máquinas agrícolas, quanto carbono é capturado e armazenado nas lavouras.

Os cálculos incluem a análise de itens como clima, tipos de sementes e práticas agrícolas. Examinadores independentes validam os dados e geram créditos, que são emitidos para agricultores ou gestores de programas ambientais. o escorrimento de fertilizantes.

Para muitos agricultores, um dos pontos que impedem sua presença mais efetiva no mercado de créditos de carbono é o alto custo. A verificação da captura e retenção do carbono no solo responde por cerca de 75% da despesa com a geração dos créditos, afirma Debbie Reed, diretora executiva do Ecosystem Services Market Consortium (ESMC), entidade que congrega organizações ambientais, agrícolas e também empresas como General Mills e McDonald´s.

Gigantes com atuação no agronegócio, como Bayer e Cargill, têm subsidiado projetos que estimulam os produtores rurais a reduzir suas emissões de poluentes, economizar água e plantar na entressafra culturas que ajudam a restaurar os nutrientes do solo e limitar a erosão. Com diferentes iniciativas, as empresas tentam dar impulso ao mercado para os créditos que vendem ou manter os créditos em suas próprias cadeias de produção.

Lukas Fricke, um produtor rural de Ulysses, do Estado americano do Nebraska, plantou centeio e rabanete na última safra de inverno dos EUA como parte de um programa lançado pela cooperativa Land O´Lakes. Ele está entre os agricultores responsáveis por gerar os créditos que estão sendo comprados pela Microsoft. Mas os US$ 20 que ele espera receber por crédito não cobrirão o custo das sementes de cobertura e da contratação de mão de obra especializada para preparar os campos para o plantio. “É algo muito novo”, diz ele. “Ainda se trata do Velho Oeste”.

 

Fonte: AGÊNCIA UDOP

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