Produtores de café brasileiros têm deixado a monocultura tradicional e apostado na lavoura sustentável

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Outros tipos de espécies passam a fazer parte da plantação para manter as temperaturas mais amenas, aumentar o aproveitamento de água, afastar pragas, entre outras vantagens. Para uma das marcas de café mais famosas do mundo, essas práticas já não são luxo – são exigência.

Quando você pensa em uma lavoura de café, qual o cenário que surge em sua mente? Várias plantas enfileiradas a perder de vista, terra exposta, e irrigadores? Pois é, a cafeicultura do futuro, ou melhor, do presente não é bem assim.

Apesar de predominar no Brasil, a modalidade de monocultura, com grandes plantações de um só tipo, tem ficado cada vez mais ultrapassada. Isso, porque ela empobrece o solo e deixa os frutos mais expostos ao sol e às pragas. Pensando nos efeitos globais desta prática, a monocultura ainda aumenta a temperatura das regiões, já que demanda gasto de água intenso, uso de agrotóxicos e desmatamento.

Uma lavoura sustentável, pensada para ajudar a frear o aquecimento global é uma mistura, como conta o produtor de café Juan Vargas, de 28 anos.

‘Nós produzimos o café, consorciado com abacate. Então, vira uma floresta meio que fechada. Temos bananas, temos mel também. E, em volta da própria área de plantação temos a floresta, a Mata Atlântica, fazendo essa proteção da área toda, de forma geral’, conta Vargas.

Colombiano, ele é de uma família de produtores de café que atua na cidade de Martins Soares, na região da Zona da Mata de Minas Gerais. Vargas relatou que a presença de outras plantas é capaz de reduzir a temperatura de uma região por conta da transpiração delas, diminui a emissão de carbono e forma também uma barreira natural contra pragas. Esse combo fez com que a fazenda conseguisse começar a exportar para países da Europa, da Ásia e para os Estados Unidos nos últimos anos.

O modelo pode ser complexo para grandes produtores, porque dificulta o uso de máquinas nas lavouras. Mas não é impossível.

Uma plantação de café da região do Alto Paranaíba de Minas, conduzida pela produtora Lucimar Silva, é prova viva disso. Ela vende cerca de 35 mil sacas de café por ano. Adotando práticas sustentáveis – chamadas de agricultura regenerativa – o terreno dela aumentou a produtividade de 34 sacas por hectare para 42 sacas. Uma das medidas importantes pra alcançar esse resultado foi cultivar gramíneas e leguminosas no meio do café.

‘Essas plantas de cobertura, por exemplo, atraem os inimigos naturais das pragas e doenças do cafeeiro, e assim você reduz os pesticidas. Nós reduzimos 60%. Além da descompactação do solo. E, com isso, a infiltração das águas das chuvas acontece com mais eficiência. Ter a natureza como a sua grande aliada’, explica Lucimar.

A produtora está entre os cerca de mil produtores que vendem para uma das marcas de café mais famosas do mundo. Guilherme Amado, Líder do Programa AAA de Qualidade Sustentável da empresa no Brasil e no Havaí, contou que o mercado internacional tem exigido cada vez mais medidas de sustentabilidade nas propriedades rurais.

‘É um modelo de cafeicultura lucrativo baseado na natureza. Minimizar ou mesmo eliminar o uso de insumos externos. O foco é na manutenção do solo saudável e da biodiversidade. E, a partir dessa ideia, trabalhar com modelos diferenciados de produção de café, que fogem da regra do café monocultura, pleno sol que é plantado no Brasil hoje’, conta Amado.

Timidamente, medidas por parte dos governos também surgem no Brasil nos últimos anos, no sentido de aumentar a sustentabilidade da agricultura. Na COP26, em Glasglow, o secretário de Inovação, Desenvolvimento Sustentável e Irrigação do Ministério da Agricultura, Fernando Camargo, disse ter certeza que “o Plano Safra do ano que vem será absolutamente verde”. Entretanto, hoje, apenas 2% do volume de crédito destinado à agropecuária é voltado diretamente para recursos do Programa de Agricultura de Baixo Carbono.

Fonte: CBN

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